Revisitando Lorwyn: quando o Magic mudou

Com o anúncio de Lorwyn Eclipsed, o Magic retorna, ao menos para mim, a um de seus planos mais carregados de nostalgia. Não apenas pela estética ou por cartas específicas, mas porque Lorwyn marcou uma mudança significativa no jogo, correndo mais riscos do que o habitual no lançamento de uma coleção — especialmente vindo logo após dois grandes blocos: Ravnica e Time Spiral.

Revisitar Lorwyn e suas expansões, Morningtide e Shadowmoor, não é apenas um exercício nostálgico. É também olhar para um período em que o Magic mudou de forma visível, e tais mudanças ainda estão presentes tanto nas cartas que continuam relevantes quanto nas ideias que passaram a moldar o jogo dali em diante.


Quando os planeswalkers deixaram o lore e foram para a mesa


Antes de Lorwyn, planeswalkers existiam como um conceito distante: entidades poderosas demais para fazer parte do jogo...

Jace Beleren, Garruk Wildspeaker, Ajani Goldmane, Liliana Vess e Chandra Nalaar chegaram de forma tímida se comparados aos padrões atuais. Eram lentos, vulneráveis e exigiam boas estratégias para mantê-los em jogo. Ainda assim, mudaram de forma profunda a dinâmica das partidas.

De repente, surgia uma nova decisão a cada ataque (e em magias de dano direto): atacar o jogador ou o planeswalker? Ignorar a permanente “X” para resolver o planeswalker? O jogo ganhou uma camada adicional de tensão e posicionamento.

Mais do que um simples poder bruto, os planeswalkers introduziram uma certa “presença” — a sensação de que havia alguém ali, no campo de batalha, auxiliando o jogador. Esse momento redefiniu não apenas o design do Magic, mas também sua identidade narrativa. A partir dali, o jogo passou a ter rostos recorrentes, protagonistas reconhecíveis e conflitos mais densos.


Cartas que definiram o Standard da época


Lorwyn e seus sets irmãos também ficaram marcados por cartas que estruturavam formatos inteiros.

Doran, the Siege Tower alterou conceitos básicos do jogo, transformando resistência em poder e mudando contas tradicionais de combate.

Bitterblossom talvez seja o exemplo mais emblemático do período: uma carta que, sozinha, ditou o Standard da época. Ignorá-la significava ser lentamente sufocado; respondê-la exigia preparo específico.

Reveillark, por sua vez, mostrou como o valor da sinergia podia ser tão decisivo quanto as explosões de um aggro eficiente.


Um formato que exigia leitura de jogo


O Standard de Lorwyn foi um dos formatos que mais exigiram do jogador em termos de leitura de jogo. Cada decisão tinha peso, e errar qualquer jogada contra decks com Cryptic Command era suficiente para colocar o jogador contra a corda.

Punir o oponente com Reveillark de forma errada muitas vezes significava perder a partida alguns turnos depois.


Tribos: tipos de criatura importam


Lorwyn foi, acima de tudo, um bloco tribal. As tribos não eram apenas temáticas: eram parte central da estratégia.

  • Kithkin representavam agressão eficiente.
  • Merfolk exploravam sinergia.
  • Elfos combinavam aceleração e volume.
  • Fadas jogavam como controle.

Lorwyn mostrou que criaturas podiam ser mais do que corpos no campo — podiam ser sistemas completos de jogo.


Cartas que atravessaram o tempo


São várias cartas do bloco que continuam sendo jogadas e servindo de referência em diversos arquétipos.


A identidade visual de Lorwyn


Arte da carta Enchanted Evening de Rebecca Guay em Lorwyn
Enchanted Evening — Rebecca Guay

Além das mecânicas, Lorwyn se destacou por sua identidade artística.

A transição para Shadowmoor aprofundou esse contraste.


O que Lorwyn ainda nos diz


Lorwyn representou um momento em que o Magic se permitiu ser mais experimental.

Independentemente da resposta, olhar para Lorwyn hoje é reconhecer que muitas das fundações do Magic atual começaram ali.

Gostou dessa reflexão?
Acompanhe o propósito do blog Anjo Serra e veja por que decidi criar este espaço para refletir sobre Magic.


Anjo Serra

Comentários

  1. Lorwin foi revolucionário mesmo. PW como carta até hoje gera debate. Se foi bom ou ruim, eu não sei, mas começoou em Lorwin.

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    1. Realmente, fica uma disputa entre a nostalgia e gosto de muitas pessoas. Ao meu ver Lorwin foi o ponta pé inicial para o "magic moderno" que temos hoje em dia. Onde a mesa é muito mais importante que a batalha na pilha (stack) que era anteriormente.

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